As músicas que não podem faltar num casamento português
Num casamento português a pista enche com quatro famílias de música: kizomba e semba, pimba na hora certa, clássicos dos anos 80 e 90, e os êxitos da malta nova já pela madrugada. Qualquer DJ habituado a casamentos vos diz o mesmo: a lista importa menos do que a ordem, e a ordem importa menos do que a leitura de quem está na pista naquele momento.
Kizomba e semba: quando as famílias se levantam
Em Portugal, kizomba e semba são território seguro de pista cheia. Tias e primos que não dançam mais nada a noite inteira levantam-se para Anselmo Ralph, Nelson Freitas ou C4 Pedro, e um semba clássico de Bonga ou Paulo Flores põe casais a dançar agarrado que não o faziam há dez anos. Um bloco de vinte a trinta minutos a meio da noite, com as luzes um ponto abaixo, é dos momentos mais bonitos de ver da cabine: três gerações na mesma pista, aos pares, sem ninguém a precisar de ser convencido.
O pimba assumido, sem vergonha e na hora certa
Digamos sem rodeios: o bloco de pimba é dos momentos mais fortes da noite num casamento português. Quim Barreiros, Emanuel, Toy, José Malhoa, e a sala vem abaixo. A condição é ser assumido e bem colocado: depois da meia-noite, com a pista já quente e as gravatas na cabeça, tocado a sério e não a pedir desculpa. Pimba envergonhado, largado a conta-gotas cedo demais, morre na praia. Meia hora forte, a fechar num ponto alto, e sai-se dele para outro registo antes de cansar. É a diferença entre um momento de antologia e uma pista a esvaziar.
Anos 80 e 90: o terreno onde toda a gente se encontra
Rui Veloso, GNR, Xutos, uma A Minha Casinha a levantar a sala inteira, e do lado internacional os Queen, ABBA, Bee Gees e o eurodance dos anos 90. É o terreno comum por excelência: os pais viveram estas músicas e os filhos cresceram a ouvi-las no carro. Por isso funcionam tão bem na abertura de pista e como carta de recuperação a qualquer hora, quando um bloco arrisca demais e é preciso voltar a juntar toda a gente.
A malta nova e a madrugada
A partir de certa hora ficam os amigos, e o registo muda: reggaeton, afro house, funk, os hits do momento e os hinos dos anos 2000 que esta geração canta palavra por palavra. A madrugada é deles, e é também onde um DJ habituado a pistas de club faz diferença, porque já não se trata de agradar a todos, trata-se de não deixar cair quem ficou.
Três gerações na mesma pista
O equilíbrio não se faz por quotas, faz-se por blocos e por pontes. Até à uma da manhã, música que pais e avós reconheçam tem sempre lugar; a partir daí o funil vai estreitando para quem fica. E há a outra lista, a das músicas que não devem tocar de todo, tão importante como a das pedidas: cada família tem as suas razões, e nós só precisamos de as saber antes. Tudo isto se fecha no alinhamento musical nas semanas antes do dia. Se quiserem ver como trabalhamos, a página de DJ para casamentos explica o processo, e o pedido de proposta fica a um formulário de distância.